Festival Boiúnas do Carimbó reúne mais de 26 grupos e celebra a força do carimbó em Marapanim.

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Reafirmando o carimbó como um patrimônio vivo, território de memória, resistência, diversidade e transmissão entre gerações, no próximo domingo (27), Marapanim, nordeste paraense, recebe a segunda edição do Festival Boiúnas do Carimbó. O encontro reunirá grupos, mestres, mestras, tocadores, dançarinos, dançarinas, comunidades e admiradores do Patrimônio. O festival ocorrerá na Sede Esportiva Bom Intento, a partir das 11h, e a entrada é franca, com vendas de comidas, bebidas e bingo de prêmios como forma de contribuir para a realização do festival.

Propondo um encontro entre gerações e territórios, o festejo compõe o circuito de festivais que são auto-organizados pelos próprios grupos de Marapanim, movimentando as comunidades da região, integrando as localidades conhecidas por sua divisão entre “água doce” e “salgado”. De acordo com os organizadores do festival, o território de Marapanim reúne mais de 40 grupos de carimbó e mais de 30 festivais comunitários ao longo do ano, formando um sistema de circulação, reciprocidade e fortalecimento entre as comunidades. Esse circuito do carimbó se constitui como um movimento cultural organizado pelos próprios grupos, voltado à salvaguarda do carimbó de raiz.

Dançarinas de Carimbó curtindo a 1ª edição do festival. Foto: Acervo Festival Boiúnas.


Nesta edição, o festival amplia a proposta iniciada em 2025, colocando em um mesmo espaço diferentes gerações e expressões do carimbó. Até o momento, os seguintes grupos estão confirmados:

Pica Pau | Levanta Poeira | Raízes de Mestre Travassos | Juntos e Misturados | Os Pretos | Os Nativos de Marudá | Caldo de Turu | Os Originais | Encanto do Pará | Beija Flor de Marudá | Carimbó Show | Japiim | Carimbó Mundiando | Piação (Jerônimo) | Parceiros do Zimba | Frutos da Terra | Coletivo Irmandade de São Benedito | As Manas do Zimba | Os Paqués | Flor de Irituia | Os Ribeirinhos | Tuiá Poranga | Lobo e Cabrali Duo | As Cablocas Morenas | Mestre Come Barro e Grupo Raio de Sol.

A organização

Realizado pelo Grupo Boiúnas, coletivo fundado pelas marapanienses Aline Ribeiro e Amanda Rabelo em 2020, o festival é fruto da própria trajetória de salvaguarda do grupo. O coletivo nasceu da força e da organização de mulheres afro-indígenas e LGBTQIAPN+, que encontraram no carimbó um espaço de resistência, afeto, pertencimento e construção coletiva. A iniciativa partiu da necessidade de ampliar a presença de grupos com representação feminina no movimento, tornando-se uma referência de protagonismo feminino no carimbó.

“As expectativas estão as maiores possíveis. A gente tá esperando 26 grupos com a expectativa desse número aumentar na hora do festival. A gente novamente vai receber os grupos de Quatipuru, da área bragantina, de Santarém Novo também, um coletivo da irmandade que vem tocar, de Irituia novamente, então é só felicidade. Esse ano, realmente, o grupo arregaçou as mangas e foi trabalhar pra poder levantar esse festival, por nós. A gente não teve muito patrocínio, mas teve nossos parceiros que nos ajudaram e estão nos ajudando nessa caminhada. E só agradecer. Agradecer à São Benedito, aos Erês, que sem eles a gente não anda”, disse Amanda Rabelo sobre a expectativa para esta edição do festival.

No local, também será feita a venda de comidas e bebidas, além dos bingos com prêmios e de uma feirinha de produtos artesanais e regionais.

Grupo de Carimbó “Os quentes da madrugada” durante a 1ª edição do festival. Foto: Acervo Festival Boiúnas.

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